8 de fev. de 2013

Literatura Africana

A África possui uma rica e variada literatura que foi se desenvolvendo através dos tempos. Sua literatura escrita esteve sempre em débito com a literatura oral, na qual se incluem os contos populares, frutos da imaginação popular cujos personagens mais famosos são a tartaruga, a lebre e a aranha, difundidos por todo o continente e também no Caribe, Estados Unidos e Brasil, como resultado do tráfico de escravos africanos.

A primeira literatura escrita aparece no norte da África e, assim como as obras do teólogo cristão Santo Agostinho e do historiador islâmico do século XIV Ibn Khaldun, apresenta fortes vínculos com as literaturas latina e árabe.

As primeiras obras escritas da África ocidental datam do século XVI e são fruto do trabalho de eruditos islâmicos sudaneses como Abd-al Rahman al-Sadi e Mahmud Kati. A primeira poesia escrita era de caráter religioso e o poeta mais relevante foi AbdulAh ibn Muhammed Fudi.

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31 de jul. de 2011

Uma Experiência Significativa Com a Literatura Africana


1 - O currículo e a cultura africana. A escola é um local em que a diversidade cultural deve ser assegurada para que todos tenham garantido o direito de aprender e ampliar conhecimentos, sem serem obrigados a negar a si mesmo, ao grupo étnico/racial a que pertençam e adotar costumes, idéias e comportamentos que lhes são adversos. Uma das finalidades do currículo é preparar os alunos para serem cidadãos críticos e participativos de uma sociedade democrática. No sentido de concretizar esse objetivo, urge que as instituições escolares se organizem de forma a contemplar as experiências das crianças, para que os alunos não vejam a cultura que comungam ser excluída ou descriminada, no ambiente escolar. Esse é o grande desafio da educação, fazer com que os alunos pratiquem e exercitem ações capazes de prepará-los para participar, ativamente, em sua comunidade.
Tomemos como ponto de partida Salvador, cidade multi-étnica e pluricultural, na qual as raízes africanas florescem cotidianamente, a comida e a música são presenças marcantes. Todavia, as literaturas afro-brasileira e africana são desconhecidas pela maioria da população, que muitas vezes, sob visão preconceituosa, associa as narrativas ao candomblé, por algumas apresentarem os orixás nos seus textos. Partindo do pressuposto que a literatura africana é vasta, torna-se primordial quebrar-se o paradigma de que somente o patrimônio europeu deve predominar e que as culturas das classes minoritárias, especialmente a indígena e a africana, só sejam contempladas no âmbito folclórico. Para tanto, deve-se buscar meios de conhecer a diversidade da população africana e, socializá-la no ambiente escolar, visando despertar nos educandos a autoestima em ser afro-descendentes. Uma das alternativas são os contos africanos, os quais revelam um mundo muitas vezes desconhecido, formado de reis, príncipes, orixás e de homens fortes que lutaram pela liberdade.
Segundo Santoméi, quando se analisam os conteúdos que são desenvolvidos no currículo comum das unidades escolares, observa-se que aquilo que é enfatizado faz parte da cultura das chamadas nações hegemônicas. As culturas ou vozes dos grupos sociais minoritários, quando não costumam ser negadas ou discriminadas, são silenciadas.
A Lei Federal No 10.639/2003 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional fixadas pela Lei No 9394/1996, ao tornar obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasieleira e Africana nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, é uma das políticas públicas adotadas pelo Governo Federal com objetivo de reparar e reconhecer as desigualdades raciais e sociais sofridas pelas pessoas negras. Mas será que com a vigência desta lei, as instituições de ensino já estão desenvolvendo projetos que contemplem a cultura africana? E se estão, como estes projetos estão sendo desenvolvidos?
Nesse sentido, o Conselho Nacional de Educação instituiu em 2004, Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, objetivando instrumentar as instituições de ensino com princípios, orientações e fundamentos que norteiem à construção de projetos que versem sobre temáticas da Pluralidade Cultural.
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29 de jul. de 2011

TERRA SONÂMBULA, DE MIA COUTO

Em meio à devastação da guerra civil em Moçambique, o menino Muidinga e o velho Tuhair caminham por uma estrada abandonada, murchos e desesperançados. É preciso salvar a alma do menino Muidinga, sem família e sem memória. O corpo do menino foi salvo pelo velho Tuahir, quando todos no campo de refugiados já o tinham abandonado. Mas como pode Tuahir salvar a alma do menino, se a sua, se existe, está escondida sob camadas de desilusão? Também é preciso salvar a alma do velho Tuahir.


Os dois companheiros abrigam-se em um ônibus queimado, próximo ao qual encontram uma mala com roupa, comida e os cadernos de Kindzu. Terra Sonâmbula, de Mia Couto, narra o renascer poético de Muidinga e Tuahir provocado pela leitura dos cadernos de Kindzu. E o que há de mágico nesses cadernos? A narrativa fabulosa da história de Kinkzu, com outras histórias dentro, que despertam sonhos e fantasias. Os sonhos e fantasias transformam a vida de Muidinga e Tuahir, ainda que eles permaneçam naquela mesma estrada.

Mas não é apenas os dois companheiros que escutam as fantasias do caderno de Kindzu, também a terra morta pela guerra escuta aquelas histórias. E, quem sabe, a terra não esteja morta? Quem sabe esteja apenas dormindo? E já comece a se mover, sonhambulante, à força dos sonhos de Tuahir, de Muidinga, de Kindzu...:


"— O que andas a fazer com um caderno?
— Nem sei, pai. Escrevo conforme vou sonhando.
— E alguém vai ler isso?
— Talvez.
— É bom assim: ensinar alguém a sonhar.
— Mas pai, o que passa com essa nossa terra?
— Você não sabe, filho. Mas enquanto os homens dormem, a terra anda procurar.
— A procurar o quê, pai?
— É que a vida não gosta sofrer. A terra anda procurar dentro de cada pessoa, anda juntar os sonhos. Sim, faz conta ela é uma costureira dos sonhos."
DEGUSTAÇÃO NO SITE DA COMPANHIA DAS LETRAS!!!